Carreira

Tudo que você sempre quis saber sobre a Carreira em Y!

Para começar, uma reflexão: o que você entende por carreira em Y?

Imagine que você atua em uma empresa com a qual se identifica, em um ambiente positivo e instigante.

Você ocupa um cargo técnico há algum tempo e domina o que faz de tal forma que visualizar soluções para entraves, projetar estratégias de ação e executá-las é tão natural quanto respirar. Você certamente representa um diferencial.

Pela forma como você se destaca, sua empresa lhe oferece um cargo de gestão, com salário maior, mais benefícios etc. O problema é que você não se vê gerenciando pessoas ou não tem disposição para isso e prefere colocar a mão na massa a liderar uma equipe.

Você escolheria permanecer em seu cargo atual ou avançar? O que fazer se você sente que merece o reconhecimento de um gestor, mas não tem interesse na atuação do cargo?

Saiba que essa situação é tão comum que levou muitas organizações a entender que a carreira linear não funciona para todos os profissionais.

Dessa forma, este artigo busca elucidar o que é carreira em Y, como ela se diferencia da versão tradicional e qual é o perfil do profissional que segue essa trajetória.

Tenha uma boa leitura!

1. O que é a carreira em Y?

Para compreender o significado de carreira em Y, você precisa entender primeiro o conceito de “seguir um caminho alternativo” dentro de uma empresa.

Observe a letra “Y” e perceba que ela tem uma bifurcação a partir do ponto central. Essa divisória representa que, além do trajeto linear, há outra possibilidade.

Agora, volte à reflexão que propomos no início — sobre assumir um cargo gerencial, para o qual você não sente inclinação ou interesse, apenas para galgar o reconhecimento devido.

Saiba que em um passado não tão distante, bons colaboradores técnicos já enfrentaram essa escolha, ainda que ela significasse desmotivação e resultados insatisfatórios.

Tradicionalmente, ao definir os planos de carreira de seus colaboradores, as empresas e os profissionais de RH traçam uma progressão linear, que prevê um funcionário evoluindo lentamente de um cargo júnior até a gerência.

Mas o que acontece com aqueles que não querem ser gestores, que não têm perfil para liderar? Pedem demissão e partem em busca de novos desafios ou permanecem, mesmo que desmotivados, em seus cargos sêniores.

Alguns aceitam o cargo para conseguir ascender na mesma empresa, ainda que afastados das atividades nas quais o seu desempenho excede as expectativas.

Com a crescente valorização do capital humano pelas empresas — por entenderem o diferencial competitivo que ele representa —, a carreira em Y vem ganhando força, especialmente em empresas de tecnologia e startups.

Atualmente, não é mais necessário optar entre a cruz e a espada. É possível continuar desempenhando a função com a qual se identifica e ser reconhecido como um especialista — obtendo a remuneração e os benefícios típicos de gestor, coordenador e até diretor.

Como a carreira em Y funciona na prática?

Bem, como especialista, você mantém suas funções técnicas, permanece como uma referência na área, inclusive tendo mais autonomia para criar soluções, estabelecer metas, projetar caminhos e executar as ações — mas sem a incumbência de gerenciar uma equipe.

Um detalhe importante: você detém o mesmo status que um gestor ou coordenador. Ou seja, é considerado uma autoridade no assunto e valorizado como tal.

Essa foi uma mudança positiva, você não concorda?

Afinal, apenas uma pequena parcela da população tem perfil para cargos de gerência e liderança.

Hoje, cada vez mais, as empresas sentem as vantagens de manter colaboradores altamente especializados. Entende-se que o valor desses profissionais está em sua enorme bagagem teórica e prática, em sua visão inovadora e em sua habilidade de elaborar soluções a partir desses recursos internos.

Esse conceito se torna ainda mais verdadeiro em tempos de crise, em que as organizações sabem que precisam reter talentos se quiserem sobreviver.

Para cortar custos em momentos de recessão, por exemplo, os primeiros cargos a serem dispensados são os de gerência.

Esses são, justamente, os cargos de liderança que representam um alto custo para a empresa, por conta dos altos salários. Além disso, o trabalho dos gestores não é facilmente mensurável.

Já o profissional cujas competências técnicas são referência vai na contramão desse fluxo. Ele é o responsável por manter a competitividade e a relevância, podendo ser a diferença entre o sucesso e a obsolescência.

É essencial que as organizações — de qualquer porte — se adaptem às transformações sociais e tecnológicas. Caso contrário, a perda de território é inevitável. Os especialistas são justamente os agentes dessa mudança.

Até aqui tudo bem, você já deve ter percebido o quão valorizados são esses profissionais. Mas quem são esses sujeitos? É necessário possuir quais atributos para ser um especialista no mercado de trabalho atual?

É o que veremos no terceiro tópico deste artigo.

Por enquanto, destacamos apenas que é fundamental ser um expert em seu campo de atuação, sendo necessário, para isso, um diploma de pós-graduação, mestrado ou até doutorado!

2. Como ela se diferencia de outros caminhos no plano de carreira?

A carreira em Y, surgida na década de 1970, se diferencia da trajetória linear porque valoriza o colaborador por suas habilidades técnicas, sem obrigá-lo a migrar de área (ou de empresa) em busca de reconhecimento.

Se o funcionário tem espaço e incentivo para focar suas energias e esforços na lapidação do conhecimento técnico e nas competências necessárias para o cargo, ele é beneficiado — pessoal e profissionalmente —, assim como seu setor e toda a empresa.

Podemos enxergar um especialista como um parceiro da empresa. A companhia investe no funcionário com treinamentos constantes, cursos, palestras, e ele retribui sendo fiel, engajado e motivado a produzir com qualidade.

Ele começa a se enxergar como elemento fundamental da engrenagem, o que aumenta a percepção de responsabilidade.

Assim, a parceria é vantajosa para ambos os lados.

Esses indivíduos costumam ser visionários, antecipando tendências e gargalos. Do ponto de vista da organização, é como ter um estrategista em campo: alguém apto a enxergar além do óbvio e que consegue definir jogadas e conquistar vantagens.

Em uma posição de gerência, a expertise desse funcionário seria perdida, já que o foco seria direcionado para questões mais burocráticas. Em outras palavras, ele ficaria responsável por mensurar resultados em vez de produzi-los. No entanto, esse tipo de atividade é o exato oposto do que fazem os especialistas.

Se mantidos em seus cargos técnicos, não há limite para a vantagem competitiva que eles podem fornecer.

Territórios promissores

Você deve estar se perguntando: “de quais empresas e setores da economia estamos falando?”. Como já mencionamos, todos os ramos que envolvem o avanço da tecnologia e sua aplicação na melhoria de processos demandam especialistas.

Há, porém, algumas áreas mais promissoras à carreira em Y. Estamos falando, por exemplo, da farmacologia, do desenvolvimento de biomateriais, da engenharia e do setor energético. Esses campos, por serem relativamente novos e pela complexidade das atividades executadas, necessitam de profissionais com alto grau de capacitação.

Porém, é preciso ter em mente que nem todos os departamentos de uma empresa têm essa alternativa. Geralmente, a tendência da carreira em Y se concentra nas funções ligadas à pesquisa e ao desenvolvimento de soluções e produtos.

Em áreas de suporte, como RH, Financeiro e Administrativo, por exemplo, a trajetória mais comum continua sendo a linear.

Mudança de paradigma

Durante muito tempo, as pessoas nutriram a ideia de que gerenciar pessoas e projetos era sinônimo de poder e ascensão profissional.

Embora existisse uma grande variedade de outros perfis e habilidades no mercado, somente cargos de liderança atraiam reconhecimento público.

Os jovens que entravam no mercado de trabalho já tinham uma mentalidade preconcebida de que o objetivo na escala de evolução empresarial era ser gestor. Se alguém perguntasse o motivo, eles não saberiam responder. Poucos eram aqueles que sabiam definir seus interesses e competências naturais.

Hoje, sabemos que o cenário é outro.

Cada vez mais, prezamos pela qualidade de vida e pelo autoconhecimento.

Se, antes, os argumentos que determinavam a escolha de uma profissão eram ligados à estabilidade financeira, nos dias em que vivemos eles pendem mais para a autorrealização, para o reconhecimento e para o desenvolvimento do potencial, de talentos, habilidades e interesses.

O foco de nossa vivência se dirige, ainda que lentamente, para a satisfação de expectativas internas, subjetivas — e não impostas por instituições sociais, famílias etc.

A carreira em Y — e a maior liberdade de ação que ela permite — cresce com esse movimento evolutivo.

3. O que é necessário para seguir uma carreira em Y?

Sem dúvida, chegar a esse patamar de excelência e autonomia profissional é algo que muitos almejam.

Saiba, no entanto, que, para conquistar esse posto, é necessário nutrir algumas habilidades específicas, como foco em soluções, proatividade e criatividade.

Também é necessário se manter atualizado. Você já deve ter observado que, com o desenvolvimento de novas técnicas e novos produtos, profissionais e conhecimentos rapidamente se tornam obsoletos se não forem reciclados.

Qual é, então, o perfil do profissional especialista?

São pessoas introspectivas, dedicadas aos estudos e ao aperfeiçoamento pessoal. Com frequência, possuem mestrado e doutorado e dominam quase que inteiramente o campo no qual atuam.

Se você ficou curioso para conhecer as principais características dos especialistas, confira a lista que elaboramos a seguir.

Proatividade

Sabe aquele funcionário que espera que todas as tarefas e demandas cheguem até ele sem fazer o mínimo esforço? Aquela pessoa sem iniciativa?

Então, esse comportamento é o oposto do perfil especialista.

O especialista faz o seu próprio gerenciamento, estabelece as próprias metas a partir dos objetivos da empresa e está sempre buscando maneiras de otimizar seu fluxo de produção. Ele tem uma visão ampla sobre o negócio e sabe o que fazer para alcançar os objetivos!

Aos poucos, vai ficando claro que esse profissional é o líder e o motivador de sua própria atuação.

Foco na resolução de problemas

O especialista é aquele indivíduo que reconhece o problema, assume a responsabilidade de lidar com ele e investe tempo e energia elaborando ou pesquisando possíveis soluções.

Por conta do know-how, essas soluções costumam vir de ideias “fora da caixa”, inovadoras e interdisciplinares, servindo de base, futuramente, para decisões, produtos e abordagens diferenciadas.

Especialização

Aqui está a chave do sucesso de um especialista: o conhecimento aprofundado das variáveis (autores, teorias, técnicas e pesquisas) que influenciam seu trabalho.

Essa propensão a se aprofundar nos estudos, a questionar e ir a fundo na busca por respostas é o seu combustível, seu diferencial.

Um especialista procura estar a par das novidades de sua profissão. Na verdade, ele faz disso um projeto, consultando fontes diversificadas na busca por informações relevantes que possam ajudá-lo a alcançar resultados ainda melhores.

Aliás, de certa forma, ele é um perfeccionista, alguém que sempre vê oportunidades de melhoria e de crescimento.

4. Como escolher a especialização certa e se qualificar?

Ok, você acha que tem o perfil certo para direcionar a sua carreira em Y, mas não sabe como começar a se capacitar e como escolher a especialização ideal.

Tenha em mente que não basta procurar qualquer capacitação. É preciso focar em cursos e iniciativas que, de fato, o ajudarão a conquistar seu objetivo.

Quando falamos em pós-graduação, há dois caminhos distintos: lato sensu e stricto sensu.

A primeira opção compreende os cursos de especialização, capacitação e MBAs.

São modalidades com carga horária de 360 horas ou mais, que costumam ser concluídos em alguns meses ou, no máximo, dois anos. A maioria desses cursos são ofertados de forma presencial ou EAD. Ao completá-lo, você conquista um certificado de especialista.

Geralmente, esses cursos são direcionados a um público específico: profissionais já inseridos no mercado de trabalho ou aqueles que buscam uma inserção imediata e precisam adquirir um conhecimento específico para aprimorar algum aspecto de sua atuação.

Já a vertente stricto sensu engloba a pós-graduação acadêmica com o mestrado e o doutorado.

Esses são cursos de longa duração — quatro anos, no caso do doutorado — e que exigem dedicação em tempo integral do estudante, sendo praticamente impossível conciliá-los com trabalho. Ao final, contudo, você conquista um diploma e é reconhecido como mestre ou doutor na área estudada.

Como decidir o que é melhor para você?

Tenha em mente que toda pós-graduação é uma ferramenta, um trampolim, que o levará a alcançar seu objetivo. Portanto, para saber qual é a melhor opção, você deve ter uma ideia clara de onde quer chegar.

Usualmente, mestrados e doutorados são opções válidas para quem quer seguir carreira acadêmica, como professor universitário ou pesquisador.

No entanto, vale ressaltar que, nos campos promissores destacados acima, grande parte dos colaboradores técnicos que têm a opção de seguir carreira em Y detém um título stricto sensu (além da graduação, é claro).

Já os cursos lato sensu são voltados a capacitação de profissionais para o mercado de trabalho, dando a eles instrumentos para se destacar e permanecer atualizados.

Mas não pense que, por não possuírem um viés acadêmico, eles não requerem esforço e dedicação.

Para concluir uma especialização, por exemplo, é preciso se engajar no processo de aprendizagem, ter um papel ativo nas aulas e elaborar uma monografia ao final do curso.

Em contrapartida, você ganha preferência na disputa por cargos e promoções, justamente porque demonstra que está comprometido com o desenvolvimento e com o que há de mais recente no mercado. Um currículo com formação continuada agrega valor à empresa. Ou seja, é um investimento promissor.

Você sabe definir qual é o seu momento e onde pretende chegar? Então, escolher a pós-graduação vai ser fácil.

No entanto, é preciso atentar para a escolha da instituição de ensino. Certifique-se de que ela é credenciada pelo MEC e de que o curso é reconhecido, caso contrário, ele não necessariamente será válido em território nacional.

Para finalizar este artigo, vamos demonstrar como construir um plano de carreira. Continue conosco, pois a seguir apresentaremos dicas essenciais para a construção de seu futuro profissional.

5. Como construir um plano de carreira

Você já pensou em planejar sua carreira? Não? Então, repense a sua estratégia, pois elaborar um planejamento pode ser útil na hora de enfrentar os desafios e as barreiras do mercado de trabalho.

O planejamento é uma ferramenta muito utilizada pelas empresas para traçar seus objetivos. Recentemente, tem-se percebido os benefícios que ela pode trazer a nível individual.

É por meio do planejamento que você perceberá qual qualificação ou especialização está faltando para diferenciar o seu trabalho.

Contudo, o planejamento não é um fim em si mesmo. Ele não vai resolver magicamente todos os seus problemas, mas funciona, sim, como uma bússola para guiá-lo até o destino que pretende alcançar.

Mas, como criar um plano de carreira bem estruturado e realista? Confira os 4 passos necessários:

1. Faça uma autoavaliação

Sim, o primeiro passo de um planejamento é questionar seus objetivos e suas motivações. Tudo o que vem depois parte dessa resolução inicial, que é, na realidade, um momento de introspecção.

Reserve um tempo para se questionar e escrever suas aspirações no papel.

Lembre-se: cada um escolhe e tem a sua própria jornada. Portanto, não se deixe levar pelas palavras ou exemplos de ídolos já estabelecidos (equívoco cometido por muitos iniciantes).

Ouça a sua voz, entenda seus interesses e comece a projetar sua carreira a partir daí.

2. Trace seus objetivos

Com esse conhecimento interno, você vai conseguir definir seus objetivos. Você quer ser CEO ou diretor financeiro da empresa? Ou quem sabe abrir seu próprio negócio? Esses são seus objetivos. Portanto, é preciso agir para alcançá-los.

Por que essa etapa é tão importante? Porque seu objetivo é a sua parada final.

Como você vai pegar o ônibus certo se não sabe direito onde quer chegar? A partir de um objetivo bem específico — e de longo prazo —, você vai elaborando suas metas.

3. Elabore estratégias

Se você já fez sua autoavaliação e sabe quais são seus objetivos de longo prazo, está na hora de traçar as estratégias que o levarão a conquistá-los. Nessa etapa, entra o investimento em qualificação e a busca por se estabelecer como um especialista, unindo suas motivações e interesses com sua atuação cotidiana e formação.

Uma estratégia é um mecanismo de ação. É o método que vai possibilitar a execução de uma ideia. Sem esse passo, seu projeto ficará apenas na teoria.

Quer um exemplo?

Pois bem, imagine que você é um profissional formado em Marketing e atua na área criando conteúdo.

Você decide fazer uma especialização em neurolinguística, pois percebeu que isso pode ser um diferencial para a sua produção — e também porque faltam especialistas nessa área, a despeito dos resultados promissores.

Você faz os cálculos e vê que, para concretizar sua ideia, você precisará sacrificar um final de semana por mês durante dois anos e pedir um empréstimo ou conseguir subsídios da própria empresa.

Você conversa com seus superiores a respeito das vantagens que a sua ação pode trazer para ambos os lados e, assim, vai abrindo caminhos.

4. Mãos à obra

O último passo é colocar em prática tudo aquilo que você definiu. Para conseguir avançar aqui — e se tornar um especialista —, é preciso ter muita força de vontade e foco em seu objetivo.

Chegamos ao final deste artigo que explica os diferenciais da carreira em Y em relação à trajetória linear — tal qual adotada pelas organizações.

Você pôde perceber a importância do especialista para o mercado de trabalho, e como ele é valorizado pelo conhecimento aprofundado e técnico — principalmente na área de tecnologia e inovação.

Para crescer em uma carreira em Y, não é preciso executar uma função incompatível com seu perfil. Pelo contrário, há espaço para se aperfeiçoar cada vez mais, autonomia para definir o que fazer e como fazer, bem como reconhecimento e remuneração equivalentes aos de um gestor.

Você também teve a oportunidade de conhecer o perfil de um especialista e o que é necessário para ser considerado um expert. Pontuamos, ainda, o quão essenciais são a formação continuada e a elaboração de um plano de carreira bem estruturado e realista.

Esperamos, portanto, que este material tenha contribuído para inspirar sua sede de conhecimento!

Agora, se você tem dúvidas a respeito de como escolher a pós-graduação ideal, está convidado a baixar nosso manual: 4 dicas para escolher a pós perfeita para o seu perfil!

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